O projeto que ninguém assinou nas eleições do CREA-AL
OPINIÃO
No próximo dia 3 de julho de 2026 tem eleições no CREA de Alagoas. Três, quatro ou cinco candidatos, vai depender ainda, poderão disputar a cadeira da presidência do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado. E na engenharia, nenhuma obra começa sem projeto aprovado. Prazos existem por razão. E nenhum profissional experiente ignora um prazo crítico no cronograma. Mas o que aconteceu nos bastidores das eleições do CREA-AL tem todas as características de uma obra muito bem planejada. Só que ninguém assinou a ART.

Fernando Dacal, veterano, ex-presidente do conselho, anunciou apoio a Eduardo Ribeiro, candidato jovem, sem nunca formalizar sua desistência. Generoso demais para a política. Detalhe: Ribeiro não havia se desincompatibilizado no prazo legal. O tipo de falha que qualquer engenheiro experiente identificaria de imediato, como uma fundação fora do nível que compromete toda a estrutura acima. Dacal sabia?
Então surgiu uma denúncia anônima ao CONFEA, que é o Conselho Federal, apontando exatamente essa irregularidade. Dacal dramatizou nas redes, indignado, prometendo acionar a Polícia Federal para rastrear o IP do autor. Um engenheiro investigando uma estrutura cujos pontos fracos ele conhecia de perto.
A linha do tempo do dia 22 de junho é milimétrica: manhã, Dacal aparece em vídeo com adesivo de Ribeiro no peito. Durante o dia, nenhuma formalização de desistência. À noite, o CONFEA publica o indeferimento da candidatura de Ribeiro.
Em engenharia isso tem nome: caminho crítico. Não há acusação aqui. Apenas perguntas técnicas — do tipo que todo engenheiro faz antes de assinar qualquer documento. A obra desabou em cima de um só candidato. A estrutura que ficou de pé sorriu para as câmeras de manhã.
O projeto existiu. Alguém executou. Ninguém assinou. Obra sem responsável técnico merece, no mínimo, uma vistoria.

