Uma moeda comunitária e cooperativista que nasceu de uma adversidade e se tornou o principal motor econômico de um município alagoano.

O Banco Comunitário “É da Gente” e a moeda social “É Dinheiro” são vitais para Piaçabuçu, no extremo sul do litoral alagoano, pois combatem a desbancarização da cidade, retêm a riqueza local ao evitar que o dinheiro circule em outros municípios, além de oferecer microcrédito facilitado, garantindo o desenvolvimento social e a inclusão financeira de pescadores e pequenos agricultores.

A parceria entre o Banco Comunitário É da Gente e a Cooperativa dos Agricultores Familiares (Coopaiba), de onde nasceu a ideia, funciona como um motor de inclusão financeira, modelo que gera moeda social e crédito circulante exclusivos, garantindo que a riqueza gerada pela pesca, agricultura e turismo permaneça dentro da própria cidade.

A relação entre a instituição financeira e a população transforma a economia municipal de três formas essenciais:

Retenção de Riqueza:

 Com o uso da moeda social (conhecida como “É Dinheiro”), os recursos financeiros circulam exclusivamente no comércio local. Isso impede que o dinheiro saia da cidade, fortalecendo pequenos negócios.

Crédito Solidário e Inclusão:

Criado para suprir a escassez de bancos tradicionais, o Banco É da Gente oferece microcrédito e linhas de crédito acessíveis (como o crédito-escola) para trabalhadores que normalmente não teriam acesso a financiamento.

Ampla Aceitação Local, já que a moeda circula em mais de 200 estabelecimentos comerciais da região, incluindo supermercados, farmácias, padarias e materiais de construção, conectando diretamente a renda do trabalhador ao desenvolvimento do comércio local, além de mais de 1000 cooperados que usam o aplicativo Assertivo, uma plataforma de pagamentos voltada para a moeda social local, que utiliza a infraestrutura tecnológica do Instituto E-Dinheiro Brasil, o que garante a segurança e a praticidade na hora de gerenciar as suas finanças.

Essa iniciativa é considerada pioneira e é destaque nacional como modelo de finanças solidárias e desenvolvimento territorial.

Mas o banco, que nasceu de uma adversidade, já que a agência do Banco do Brasil em Piaçabuçu foi alvo de uma forte explosão e assalto na madrugada de abril de 2014, quando uma quadrilha fortemente armada detonou cinco caixas eletrônicos e o cofre principal, causando grande destruição no local, se tornou sucesso da articulação digital e solidária em Piaçabuçu, além de servir de inspiração para a criação de novos bancos comunitários em Alagoas

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