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Munícipio vai explorar o turismo ecológico no Rio Camaragibe

Claudio Bulgarelli

Vários municípios alagoanos, que possuem entre suas atrações, as mais praias consideradas entre as mais belas do Nordeste, dão início a um movimento na busca de novos atrativos turísticos visando aumentar o leque de opções a serem oferecidos a um turismo cada vez mais atraído por novidades ligadas a natureza. Jequiá da Praia e Passo de Camaragibe figuram entre aqueles que, mesmo possuindo lindas praias, estão criando outras atrações em rios e lagoas.

O Rio Camaragibe, por exemplo, um rio genuinamente alagoano que nasce na Serra do Bolão, em União dos Palmares, no sítio Olhos d’Água, que banha a cidade de Matriz de Camaragibe pela margem esquerda e a cidade de Passo pela direita, vindo a desaguar no Oceano Atlântico, no balneário de Barra de Camaragibe, servirá como modelo da Rota Ecológica, para um novo tipo de atividade turística. Esse é o objetivo da gestão do prefeito Elisson Santos, através da secretaria municipal de Turismo, que prepara um planejamento estratégico  para usar todo o potencial do Rio Camaragibe.

Conforme texto publicado na revista do Instituto Histórico de Alagoas, no ano de 1936, o rio “Era navegável por pequenos vapores, iates, barcaças e canoas desde a foz até os portos de Jatobá e Campininha, além do porto da cidade do Passo, distante desta 20 quilômetros, e dai em diante não o podendo mais ser, em virtude da cachoeira Serra D’água, a mais notável depois da de Paulo Afonso e do Funil. Seu principal afluente é o Camaragibinho, além dos riachos Galho-do-meio, Salgado, Vermelho e Cocal.´´

O Rio Camaragibe também era chamado de “CAMURIJI”, segundo a “Geografia Alagoana do domínio holandês”, escrito por Luiz da Câmara Cascudo e publicado na revista do IHGAL, em 1940. “Nasce pequeno em matas despovoadas e se faz caudaloso pelos muitos riachos, regatos e vertentes que encontra e com que se incorpora repartindo a suas corretes, em multiplicados braços, com toda sua água desembocando na Barra, deixando de caminho as terras beneficiadas de águas cristalinas, para cômodo de seus habitantes e para produção de frutas, legumes, roças e canas. É abundante de toda a diversidade de peixes pretos e brancos e suas margens junto ao mar com caranguejos e mariscos, suas matas virgens de preciosas madeiras.´´

Segundo a revista do IHGAL, o rio, no entanto, também provocava desastres. “O Camaragibe no inverno rigoroso invade casas, transforma o cercado do Bernardo Gomes e a Conduca num lago pomposo, transborda do leito, improvisa lagoas e, quando voltava à vazão natural, estar repleto de excelentes camarões, pitús, camorins, carapebas e traíras, com uma quantidade muito maior do que a capacidade de consumo.  E ainda na década de oitenta eram encontrados peixes saborosos, as águas eram límpidas, transparentes, mansas, ainda não poluídas, fluía rumorejante, de dia brilhando ao sol, de noite pescando estrelas´´.

Atualmente, o Rio Camaragibe, vestido com toda essa história e tradição ganha uma nova visão, com um olhar para a atividade turística do município de Passo de Camaragibe. O prefeito Elisson Santos, através da secretaria municipal  de Turismo, prepara um planejamento estratégico  para usar o potencial do rio para fomentar a atividade turística.

Segundo o secretário de Turismo, Jerfson Tito, a ideia é preparar um esquema de exploração turística que envolva passeios de jangada contando a história dos acontecimentos no ambiente rio, desde a foz até o centro histórico do município, além de passeios de caiaque e bicicleta aquática. Na gastronomia, o valor agregado do rio é a presença do famoso camarão de água doce, um ponto muito forte e rico da gastronomia local.

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