Gilson Neto: EMBRATUR será a grande responsável pela retomada do turismo brasileiro

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Gilson Machado Neto, médico veterinário pernambucano, presidente do Instituto Brasileiro de Turismo, EMBRATUR, membro do trade turístico da Rota Ecológica, onde possui um a das mais belas pousadas da região, a Villas Taturé, ex-secretário nacional de Ecoturismo e Cidadania Ambiental, do Ministério do Meio Ambiente, é desde o ano passado como o grande responsável pela execução da política nacional de turismo no que diz respeito à promoção, marketing e apoio à comercialização dos destinos, serviços e produtos turísticos brasileiros no mercado internacional.

Em recente entrevista, perguntado por que o Brasil atrai anualmente por volta de 6,5 milhões de turistas, número considerado baixo em razão das dimensões do país, por que isso acontece e como essa situação pode ser revertida, ele respondeu: “Sentimos muito a falta de articulação entre os poderes públicos para desburocratizar e estimular o aumento do fluxo turístico no Brasil. Por isso estamos fazendo vários workshops para que o trabalho entre os agentes públicos possa ser fomentado. Queremos atrair parceria com parques, equipamentos e clubes náuticos como marinas, monumentos de afundamentos de navios e aviões de guerra, museus submersos, campeonatos de pesca, locais para a contemplação da natureza e biodiversidade. Já estamos incentivando o turismo de mergulho que é muito forte ao redor do mundo e deixa grandes recursos, já que o turista de mergulho tem de passar no mínimo sete dias no destino em decorrência de preparação e recuperação física. O Brasil também é muito rico em turismo religioso. Temos vários templos, igrejas, locais de oração e meditação, retiros espirituais, grandes santuários que permitem contato com a natureza, eventos religiosos, hotéis e pousadas dentro de locais sacros, além de cidades de grande peregrinação. O turismo esportivo ligado à natureza encontra no Brasil a paisagem perfeita para diversas atividades: em terra, água e ar. O mundo precisa ver nosso país como local ideal para competições esportivas”. 

Perguntado sobre quais são os planos para a Embratur, ele respondeu: “Estamos eliminando o máximo de barreiras que atrapalham o turismo nacional. Em minha experiência fora do país, pude perceber que alguns entraves desnecessários causam a perda de uma massa de turistas. Quero também sair da mesmice e utilizar ao máximo facilidades tecnológicas para desbravamento do mercado, promoção dos destinos diversos e belos que o país oferece, publicidade, merchandising em polos emissores e eventos internacionais, fazendo do Brasil o grande desejo dos turistas internacionais. O Brasil é o primeiro do mundo em potencialidades turísticas e belezas naturais, segundo a ONU, e amarga posição vergonhosa entre as grandes potências do turismo mundial”.

Na última semana Gilson Machado Neto, participou da live “M&E Play”, promovida pelo importante portal de notícias sobre o trade do Turismo “Mercado e Eventos”. O tema tratado durante a live, transmitida ao vivo pelo Youtube, foi “O papel da Embratur na retomada do Turismo no Brasil”. Respondendo ao tema proposto o presidente indicou que, com a sanção presidencial à lei 14.002/2020, no dia 22 de maio, a atuação da Embratur foi alterada especificamente por conta da pandemia de Coronavírus. “O papel da Agência agora é basicamente estimular o turismo interno, junto com o Ministério do Turismo, promovendo o turismo de curta e média distância. Somos o único país do mundo em que em um raio de 200 quilômetros se pode ter gastronomia, natureza, cultura, história, negócios. Ser brasileiro é sempre estar ao lado de um destino incrível”, disse.

Mesmo que a lei que transformou a Embratur de Instituto Brasileiro de Turismo para Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo determine que a nova Embratur deva cuidar exclusivamente da promoção dos destinos brasileiros para o mercado interno até seis meses após o fim da pandemia, Gilson Machado Neto mencionou que “ainda assim não abandonaremos o que fizemos no exterior em 2019”. “Ano passado fizemos muitos contatos com o trade e não perderemos esse network”.

Ao ser perguntado pelo jornalista Igor Regis sobre a atuação da Embratur em feiras internacionais, Gilson indicou que planejava, antes da pandemia, levar a Embratur a 44 feiras em 2020. Com a indefinição causada pelo coronavírus, agora há que se esperar que as organizações das feiras definam datas e que confirmem suas expectativas. “Alguns países abriram e em seguida fecharam fronteiras, como ocorreu também com Foz de Iguaçu com seus parques. Se depender de mim, participaremos de todas as feiras possíveis, pois temos que estar na prateleira em qualquer lugar do mundo”, sinalizou, reforçando que, em 2019, ainda como Instituto, a Embratur participou de 9 feiras. Na maior delas, a WTM, de Londres, o estande da Embratur recebeu o troféu de país de melhor potencial para Turismo no mundo.

Em pergunta enviada por Roy Taylor, presidente do Mercado e Eventos, o presidente da Embratur foi convidado a apresentar sua visão pessoal sobre a retomada do Turismo. Gilson respondeu. “Sou um otimista. Acredito muito no país da gente, em Deus, tenho certeza que vamos conseguir a vacina muito mais rápido do que dizem os cientistas, mas sei das dificuldades. Acho que as companhias aéreas vão voltar ao patamar de dezembro de 2019 só em 2022. Hoje temos de 38 a 40 % da frota voando. O setor hoteleiro já demonstra recuperação, com tem 60 % das reservas para o fim do ano, na comparação com 2019. Já temos visto indicadores de evidente recuperação”.

O presidente da Embratur também ressaltou que o setor do Turismo é o primeiro a sofrer e último a se recuperar em uma crise como a atual, mas que, graças a ações tomadas pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, não houve caos no Brasil. “Por conta do auxílio de R$ 600 nossa economia permaneceu aquecida e com capilaridade na base. A iniciativa ocorreu na hora certa”, indicou, lembrando também da Medida Provisória que liberou R$ 5 milhões para o setor do turismo.