Hotéis em Alagoas que surgiram antes mesmo do destino turístico e contribuíram para fortalecer a economia local

Compartihe

Poucos hotéis em Alagoas conseguiram alcançar uma notoriedade que os torne representantes da hospedagem dos destinos nos quais estão inseridos mesmo antes do destino se tornar conhecido pelo grande fluxo de turismo. No Brasil podemos citar o Copacabana Palace, no Rio de Janeiro; o Hotel das Cataratas, em Foz de Iguaçu; o Tropical, em Manaus e o Transamérica, na Ilha de Comandatuba, na Bahia. Geralmente, meios de hospedagem internacionais têm mais de 70 anos de história ou até mais, mas no Brasil a história e a tradição são tratados de forma diferente.

No Litoral Norte de Alagoas, começando em Maceió, são sete os meios de hospedagem, hotéis e pousadas, que se tornaram conhecidos antes mesmo das cidades onde estão e de certa forma contribuíram para fortalecer a economia local, melhorar a qualidade de vida de seus colaboradores e plantar a cultura do turismo. O Hotel Jatiúca, com 40 anos de fundação; o Capitão Nikolas, na Barra de Santo Antônio, 24 anos; o Cambará, no Passo de Camaragibe, 20 anos; a Pousada do Toque, em São Miguel dos Milagres, 20 anos; o Hotel Marambaia, em Porto de Pedras, 16 anos; o Bitingui, em Japaratinga, com 30 anos e o Salinas, em Maragogi, também com 30 anos, são os representantes dessa elite da hotelaria que mudaram a economia de suas cidades e levaram seus destinos a ficarem conhecidos no mundo inteiro.

O Hotel Jatiúca, em Maceió, foi inaugurado em 1979 e tornou-se, pouco tempo depois da abertura, o principal meio de hospedagem de Maceió, sendo adotado pela sociedade do destino como palco dos eventos sociais. Desde então, fica difícil não associar o Jatiúca a Maceió, quando o tema é turismo. O tempo passou e o hotel sentiu o impacto de algumas questões nacionais nas décadas de 1990 e 2000, época que o boom da hotelaria alavancou novos empreendimentos.

Quando ele foi aberto, a praia de Jatiúca era distante da região central e o local era visto fora da cidade. Com a expansão da orla e novos hotéis sendo construídos, o Jatiúca foi perdendo sua notoriedade como principal meio de hospedagem para os turistas, que eram atraídos pelos novos produtos. Mas aos poucos foi recuperando, fazendo investimentos e aumentando sua capacidade no mercado. Só em 2014 o hotel investiu mais de R$ 34 milhões para sua remodelação.

No Passo de Camaragibe, um dos municípios de maior extensão do litoral norte, possui duas características distintas para o desenvolvimento do turismo: o de praia, pois possui algumas das mais belas da Rota Ecológica e o rural, com suas suaves colinas verdejantes onde o ecoturismo pode ser boa opção para empreendimentos hoteleiros. Foi pensando nisso que no início do ano 2000 o casal de empresários Eduardo e Yara Menezes, resolveu investir nessa ideia. Na sede de uma antiga fazenda, primeiro construíram a própria casa de campo. Depois iniciaram as obras do primeiro hotel de campo da Rota Ecológica, que na época se chamava Chalés do Camaragibe.

Construíram um lago com pedalinhos, um restaurante moderno, um pesque pague e uma piscina. Alguns anos depois resolveram mudar o nome para Hotel Fazenda Cambará, e atualmente é simplesmente Hotel Cambará. Mais de 20 milhões foram investidos nas obras. No ano passado, por exemplo, investiram 2 milhões na construção de um mini parque aquático e na ampliação de mais 30 apartamentos. Emprega mais de 30 funcionários da região.

Pousada do Toque reabre depois de 70 dias fechada (Claudio Bulgarelli)

A Pousada do Toque, em São Miguel dos Milagres, é realmente um case de sucesso. Ao completar 20 anos agora em março, eleita duas vezes como a melhor pousada do Brasil, tem 54 colaboradores para apenas 20 unidades e já investiu nos últimos anos mais de 30 milhões em obras e melhorias de seus chalés. A pousada desativou antigos apartamentos e construiu chalés com deck, varanda e piscina particular. Quartos amplos, colchões importados, TVs grandes, Sky em todos os quartos e wifi. Os banheiros são enormes, têm entrada independente e vêm sempre com dois chuveiros e duas pias. Os anos se passaram e completando o upgrade radical da pousada, foram construídos super chalés com piscina particular, home theater, hifi, sky e outras regalias bem ao estilo do Toque, na cola do Nannai, mas com cara de Brasil, não de Bora Bora. O mais recente, Bem-te-vi é um modelo de super chalé, com mais de 100 metros quadrados de espaço, com 4 ambientes, piscina particular e uma série de itens que o tornam o mais cobiçado dos chalés da pousada.

O Bitingui Praia Hotel, na praia de mesmo nome, em Japaratinga, é um dos pioneiros no setor do turismo da região, já que foi construído em 1990. O hotel estende-se ao longo de um terreno de 200m de praia, rodeado por uma praia vazia, piscinas naturais e belos recifes de coral. Portanto, não é surpresa que os insiders ainda descrevem esta região e as praias de Japaratinga como um dos segredos mais bem guardados do Nordeste.  O hotel dispõe de 4 piscinas, 8 chalés, 42 apartamentos e muito mais.  Além disso, a administração de uma família internacional torna possível se comunicar em português, alemão, francês e inglês. Ao longo dos anos fez investimento de mais de 50 milhões e emprega 50 colaboradores da própria cidade.

O Salinas Maragogi é outro case de sucesso. Agora em dezembro de 2020 o Salinas vai comemorar 30 anos de história. O turismo em Maragogi começou de fato em 1990, com o surgimento do Salinas, que foi o primeiro hotel de porte para receber turistas. O empreendimento é fruto da ousadia do engenheiro civil e capitão do Exército, Márcio Vasconcelos, que depois de viajar o mundo, descobriu que as belíssimas praias de Maragogi não ficavam atrás de uma outra. Com o passar dos anos, o Salinas se tornou o maior pagador de imposto sobre serviço a prefeitura municipal, além de ser o segundo maior empregador da região, perdendo somente pela própria prefeitura municipal.